Canetada – A comédia do futebol em crônicas e críticas cretinas

Um tablóide digital que não volta pra marcar

Aperriando o juízo desde 2010

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26
mai
2011

Vasco: na corda bamba entre a ressurreição e o estigma

4

Se for campeão, uma nova era de glória. Se for vice...vai dar pena!


por Lamartine du Derby



Vamos lá, turma corneteira, me digam: alguém no início deste ano de 2011 diria que a final da Copa do Brasil seria entre Coritiba e Vasco?!? Convenhamos, até o torcedor mais otimista destes times sabe que não eram favoritos.

Mas falemos especificamente do Vasco. Depois de enfrentar notória pindaíba em anos recentes, o time cruzmaltino parece que está voltando a ser protagonista do futebol brasileiro. No popular, voltou a ter colhões e mostrar que aquela camisa com aquela faixinha diagonal ali pesa pra burro. Voltou a ser grande e se comportar como tal.

Ontem, com uma vitória masculina sobre o atrevido Avaí, mostrou que chega à final da Copa do Brasil em ascensão. Diego Souza anda de bom humor e resolveu jogar o fino da bola de novo. O resto do time também é presença. Sem muitas estrelas, mas com tudo que é necessário, bons meias, um atacante veloz, um centroavante...é um time bem honesto.

Entretanto, infelizmente esta ascensão não significará muita coisa se o Vasco PERDER a final para o Coritiba. Afinal, o estigma de VICE ali é forte, cumpádi. Ser “vice de novo†é tudo que a moçada urubu tá esperando para esculachar mais uma vez a torcida bacalhau.

Do outro lado, o time sensação do primeiro semestre. O Coxa passou o rodo, encoxou todo mundo até agora. A questão que fica é: o Vasco vem em crescimento, o Coritiba ainda está no auge? Se estiver, é páreo duro e promessa de dois belos jogos.

Portanto, um confronto de dois jogos contra um time peçonhento é a linha sutil que divide o Vasco entre a retomada no cenário nacional e a vergonha de ser vice de novo.

Uma Copa do Brasil seria uma boa pedida pra torcida do Vascão se levantar. Mas do outro lado, outra torcida apaixonada que também não comemora coisa grande há muito tempo e quer mostrar que tem camisa.

Uma final interessante, inusitada.  Quem viver, verá!


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14
jan
2011

O que esperar de 2011?

7

E como andam as contratações de alguns times para a nova temporada.


por Clint McGuinness



Ronaldinho Gaúcho à parte, o mercado da bola nesse Brasil varonil anda mais morno que chá em colégio de freira. Basta dar uma olhada rápida no investimento que alguns times andam fazendo para perceber que (1) ou falta grana em caixa para investir decentemente ou (2) estão levando a sério aquela história de manter o time do ano anterior ou (3) o que falta mesmo é jogador bom disponível no mercado.

Tirando uma ou outra notícia estratosférica como a contratação do R10 ou as sondagens ao Luis Fabiano, o mercado da bola não insinua mais a força que teve nos últimos anos quando o Corinthians trouxe Ronaldo e Roberto Carlos, o Fluminense investiu no Deco, Botafogo em Loco Abreu, Flamengo em Adriano e o Santos segurou o Neymar. Naquela época uma pá de coisa martelava minha cabeça:

- É isso então? Finalmente o futebol brasileiro tem grana pra gastar? Tá rico?
- Ih rapaz... isso só tá rolando porque a Europa (e o seu futebol, claro) tá quebrando...
- Rá! Isso não passa de show... esses times estão contratando mas não tem a menor condição de manter esses caras...

Ainda não sei exatamente qual desses caminhos é o mais certo, ou se todos eles apontam mais ou menos na mesma direção. O fato é que se olharmos pro “toma lá da cá†de algumas das contratações realizadas rola um certo constrangimento. Vamos a elas:

Atlético-MG – Comprou Richarlyson, Toró, Jóbson e, por último, anunciou o Mancini. Lá na terra das alterosas andam dizendo que esse é o time galático do Brasil. Vergonha alheia...

Botafogo – Fechou com Lucas, Luis Felipe e Márcio Azevedo... Quem são essas pessoas meu bom pai?

Corinthians – O Morais tá voltando. É isso? O Morais tá voltando? E o resto?

Cruzeiro – Acertou com Leandro Guerreiro... Será que alguém na toca da raposa sabe fazer a escova marroquina?

Flamengo – esse sim sacudiu o mercado da bola. Não bastou o Ronaldinho Gaúcho também trouxe Thiago Neves além do minimamente decente lateral Egídio, que disputou o último brasileiro pelo Vitória... Resta saber se vai funfar. Tenho lá minhas dúvidas, mas torço para que dê certo.

Fluminense – trouxe o Diego Cavalieri. E basta. Os caras são campeões brasileiros e pra melhorar aposentaram o Coração Valente. Precisa de mais?

Palmeiras – Trouxe o tal Maikon Leite. Quê mais? Só ele? Eles estão de brincadeira né?

Santos – Fechou com goleirão (?!) Aranha e com o bom lateral Jonathan (ex-cruzeiro). Se bem que ali o que vale mesmo é a volta do Ganso...

São Paulo – Comprou o Juan, ex-Flamengo. Pensei que o São Paulo fosse grande...

Vasco – comprou muito, mas nada relevante... A não ser pelo atacante Marcel e o lateral Élder Granja... Quem sabe os astros não se alinham e eles joguem bem na Colina...

Quem mais moçada? Esqueci de alguém? Vamos lá, comente, grite de piti... Enfim, participe!

Cheers!


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01
dez
2010

Derivados do Futebol – Capítulo 4

5

Mexicano: Dois na linha, um no gol e apenas três toques pra meter a pequena lá dentro.


por Clint McGuinness



O mexicano ou “2 contra 1â€, “3 toquesâ€, seja lá como se chamar, é o exemplo clássico de como brasileiros são fominhas por futebol. Faltou gente? Tem pouco espaço? Tem dever de casa? Não importa: junte três meliantes, qualquer tipo de esfera e improvise um gol. Isso e tudo que você precisa para ter horas e horas de diversão. A única coisa que te fará parar de jogar é um membro quebrado ou então a necessidade de se alimentar para não desmaiar.

Olha, me arrisco a dizer que o “mexicano†(ali, colado no “Golzinhoâ€) era o derivado da bola mais praticado na rua em que eu cresci. Sempre estávamos lá eu (o gordinho perna-de-pau), Duck (o gordinho marrento bom de bola) e PP (o magrelo habilidoso) prontos para a consagração vespertina.

Como eu sempre fui o pior de todos, na maioria das vezes eu começava no gol. A regra era simples: eu soltava a bola e os outros dois tinham até 3 toques para chutar ou cabecear no gol. Essa rotina acontecia 3 vezes. Se em duas delas a bola não entrasse, eu ia pra linha e quem chutasse por último ia agarrar.

E como eu era ruim na arte de finalizar sempre foi assim: eu ficava mais tempo no gol do que na linha. Por motivos óbvios, com o tempo, fui me tornando um bom goleiro e fazer gol em Clint era para poucos. Meu maior rival sempre era Duck. O gordinho marrento, dono da bola e da casa que usávamos o portão como gol, tinha um chute poderoso.

No começo, todo chute era gol. Tuk, tava lá dentro. O cara chutava com as duas e quando decidia me irritar prometia que todos os gols seriam iguais:

"Aí Clint, hoje só farei gol de voleio..."

O sangue subia e, acreditem, o desgraçado era bom. Muitas vezes ele me vencia só no psicológico e eu não conseguia defender nenhum "bate-pronto" daquele imundo. Minha sorte é que eu tinha ao meu lado meu chapa PP. Sujeito de bom coração, volta e meia, ele perdia uns gols feitos para que eu pudesse ir pra linha.

Tudo seguia nessa levada até que um dia, eu sei lá porque, decidi desafiar Duck:

"Duck, hoje você não fará nenhum gol em mim. Nenhum! E quer saber? Eu aposto meu Surpresa nisso!"

O que ouvi? Uma sonora risada seguida de um minutinho de silêncio. Epa! Peraí! Senti uma fraqueza... Ele tituebou! Maktub porra! Estava escrito moçada!

E foi ali, naquela tarde nublada, que o jogo virou. Amigos, algum falecido goleiro encarnou em Clint naquela ínterim de consagração, o asfalto da rua se tornou uma grama japonesa, e eu fazia pontes no ângulo, ia buscar bolas lá no cantinho, enfim, estava impossível. Bateu o mojo, moçada. E quando isso acontece, não tem pra ninguém.

Muito menos para Duck, que viu seu reinado ruir. Ele tentava de todo jeito: cobertura, na gaveta, rasteiro. E na medida que eu ia segurando, ele só ia piorando. O jogo tinha mudado, moçada.

Naquela tarde, quem mandava era eu. No dia seguinte, não jogamos mais Mexicano. Por algum motivo velado, optamos pelo "Golzinho". Mas aí já é outra história...


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18
nov
2010

Derivados do Futebol – Capítulo 3

11

Porradabol: simples, puro, rústico e cheio de adrenalina!


por Lamartine du Derby



Imagino que muitos de vocês já praticaram esta "doce" modalidade em algum momento de suas vidas. Para os que não sabem do que se trata, explico:

As regras podem variar um pouco, mas basicamente o Porradabol consiste no seguinte: um campo (ou quadra), uma bola, um pique e um número X de vagabundos dispostos a levar uns sopapos. Solta-se a bola no meio, como quem joga peixe para os crocodilos, e os animais correm para chutá-la. O objetivo é acertar os outros, qualquer um. Isso mesmo.

Se outro jogador é atingido do joelho para cima, está queimado, condenado! Sua missão agora é correr até o pique (que pode ser uma trave, uma árvore ou qualquer coisa fixa) para livrar-se de tal encosto. O problema é o trajeto. Até chegar no pique, o queimado será chutado, socado, estapeado...enfim, espancado. Deve ser homem o suficiente para aguentar o tranco e chegar ao pique. Quando por fim alcança a meta, o jogo zera e novamente o objetivo volta a ser chutar a bola e queimar outros jogadores.

Ah, tem a regra dos toques também: cada jogador só pode tocar uma vez na bola. Se tocar duas vezes, também vira o queimado da vez. E aí segura a chapuletada, amigo! Sai do meio que o sangue espirra!

Bom, diferente do que fiz com as modalidades anteriores, não contarei a história do Porradabol, até porque eu não tenho a mínima ideia de como começou esta merda. Mas contarei minha experiência pessoal:

Cidade de Derby, interior da Inglaterra, 1950. Eu era um franzino aluno da sétima série de um típico colégio anglicano. As normas eram bastante rígidas para os alunos naquela época. Mesmo assim, a maldade e a selvageria que caracterizam os adolescentes corriam soltas. E o tal do bullying nem pensava em existir. Era sobreviver e ponto.

E assim como num presídio, nos colégios você tem que mostrar que é macho para ser aceito e não virar teteia dos outros. E naquele ano, reinava nos recreios o Porradabol como celebração da testosterona, que depois seria gasta na punheta.

Se você encarasse a arena, era macho. Simples! E como era a tal arena? Tratava-se de uma quadra de vôlei (ou seja, menor que uma de basquete ou futsal) sem rede, toda cercada por grades, de cima abaixo, com apenas uma pequena porta de entrada. A bola era de basquete (imagine só uma bola de basquete de 1950, que fofa!) e o número de gaiatos participando da rinha ficava entre 60 e 70 babacas. Às vezes surgia um inspetor e interrompia aquela barbárie, mas logo voltávamos a nos degladiar.

Ali tive a oportunidade de estudar a interessante psique do jogador de porradabol: perto do pique (o salvador de vidas) ficava um aglomerado de moleques, mais ou menos 80% dos participantes. Ficavam ali por serem covardes e se sentirem mais seguros perto da salvação. Levou bolada? Só tomavam uns 5 cascudos antes de atingir o pique. Mas por outro lado, eles eram corajosos, pois ficar perto de onde estava a maioria significava ficar onde quase todos os chutes eram disparados. Era strike toda hora!

Por outro lado, havia outro tipo de pseudo-corajosos: os que ficavam no canto oposto da quadra, bem longe do pique. Estes 10% eram os maiores chutadores e se deliciavam com o prazer de enfiar a bicuda na pelota em direção ao bolo dos 80%. E dificilmente a bola ia para aquelas bandas com menos densidade demográfica. ENTRETANTO, quando um borra botas desses levava uma bolada, era um massacre. Uma verdadeira Via Crucis! O desgraçado tinha que atravessar toda a quadra levando pontapés e bolachas de todos os tipos. Alguns não resistiam e caiam. Eram atirados para fora da arena como cães e o jogo continuava.

Eu ficava entre os 10% restantes, que se posicionavam no “limboâ€, uma posição intermediária que apresentava riscos controlados. E geralmente eu me dava bem. Me vingava dos grandalhões da escola quando estes passavam queimados por minha frente. Era cada chute no rabo, brotha!

Mas um dia chegou a minha hora e eu me lasquei bonito. Eu já havia aguentado muita pancada, resistindo bravamente até o pique. Mas eu não contava com a estupidez de um garoto negro chamado Beans. Ele tinha 17 anos na época, era repetente (a média de idade era de 13, 14..), 1,80m e era um negão forte bagarai, minha gente. E um belo dia a bola quicou em sua frente e ele armou um sem-pulo que daria inveja a Van Basten. O tiro saiu seco.

No meio do caminho, havia minha cabeça. Havia minha cabeça no meio do caminho.

Eu caí. Despenquei.

Ainda deu tempo de sentir uns chutes nas costelas, mas minha vida foi salva pela chegada da autoridade, o inspetor. Aquela partida havia acabado e fui erguido por dois amigos. Depois de uns minutos de apagão, me recompus, voltei à aula e notei que minha vista estava como um espelho quebrado, com um risco no meio distorcendo a visão do lado esquerdo da do direito. Mas eu me recusava a procurar ajuda, pois isso significava perder toda a honra conquistada em arena. Fiquei por umas três horas sem enxergar direito, mas por sorte minha visão se recuperou depois. E eu abandonei o Porradabol para sempre.

Hoje alguns dizem que eu ainda apresento sequelas daquele dia, mas eu não entendo bem o que querem dizer com isso. Tô bem, viu gente? Brigaaado. Segue o jogo!

Até hoje o Porradabol segue na clandestinidade, por razões um tanto quanto óbvias. Mas assim como muitas drogas, a tentação para se meter com essa babaquice é grande. Uma espécie de Fight Club dos boleiros, um laboratório de badboys.

Dizem até que Edmundo, Gascoine, Cantonà, Zidane e Kléber Gladiador começaram no Porradabol. Eles negam, é claro.

Acredite se quiser.


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12
nov
2010

Derivados do Futebol – Capítulo 2

0

Gol a gol: preguiçoso, minimalista e divertido bagarai!


por Lamartine du Derby



Vamos para o segundo capítulo de nossa série de derivados falando sobre um ritual que nasceu da escassez: o gol a gol.

Muito se fala sobre a capacidade que o brasileiro tem de improvisar uma pelada com poucos recursos. Não tem trave? Vai com chinelo. Não tem bola? Vai com meia, tampinha, latinha...o que der.

Pois o gol a gol também surgiu da falta de recursos, mas na direção oposta: o que faltam são jogadores. Há um campo (ou quadra), há traves, há uma bola. Tem tudo, menos um número suficiente de babacas para montar dois times.

Vamos à história: há algumas décadas atrás, mais precisamente no ano de 1948, havia um moleque muito rico chamado Bené na cidade de Bauru, interior de São Paulo. Sua família tinha uma casa enorme, com um campinho de futebol particular no terreno. Mas Bené era um pirralho tão desgraçado que não deixava os meninos do bairro jogar em seu mini estádio. Só ele ficava chutando a pelota de gol em gol. Até que ficou treinado naquilo.

Mas um dia o pai de Bené, preocupado com a sociabilidade de sua cria, proibiu o pequeno de passar as tardes em casa. Bené teve que ir para a rua e se atreveu a jogar bola no campinho de terra, com os outros moleques. Foi driblado, canetado, chapelado, humilhado por outro pirralho chamado Edson. Aquela tarde foi a alegria da molecada que queria se vingar do egoísmo do filhinho de papai.

Bené ficou tão humilhado que só uma coisa poderia salvar sua honra: abriu as portas de sua mansão para a pirralhada e liberou o campinho. Mas não se antes se vingar do baile que levara. Ele ditou as regras da primeira partida: só ele contra Edson, chutes de um campo a outro, não valia defender com as mãos dentro da área. Edson, humilde e esportista, aceitou o desafio.

Foi um show. Bené meteu 10x0 em Edson, que emendava chutes espetaculares, de sem pulo, voleio...mas todos passavam tirando tinta da trave, ou batiam na trave, ou eram defendidos heroicamente por Bené. Já o riquinho, treinado à exaustão nas tardes que passava sozinho chutando, fazia gols do meio de campo com facilidade.

Aquela tarde marcou a vida dos garotos. Bené desistiu de jogar bola, cresceu e cuidou dos negócios do pai. Já o Edson virou um grande jogador de futebol, mas nunca mais conseguiu fazer um gol típico de gol a gol.

Logo, os anos se passaram e surgiu a expressão “o gol que o Pelé não fezâ€. Agora vocês sabem qual a razão de Pelé nunca ter feito este tipo de gol: trauma de infância.

Voltando ao ritual do gol a gol, hoje ele é praticado em todos os campinhos e quadras que sofrem de escassez de jogadores. E muitos jogadores hoje consagrados devem seus talentos a esta prática:

Neto, Roberto Carlos, Marcelinho Carioca, Rogério Ceni, David Beckham, Andrea Pirlo, Marcos Assunção, Gralak, Roberto Cavalo entre outros...

Duvida?


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05
nov
2010

Derivados do Futebol – Capítulo 1

5

O acéfalo Bobinho.


por Lamartine du Derby



Gente que faz, começamos hoje mais uma série do nosso tropeçante blog: a Série Derivados do Futebol. Aí você, todo metido a macho, vai perguntar: “que porra é essa?†Calma, sofredor, eu explico.

O futebol é tão amado pelo mundo afora que já rendeu derivados: brincadeiras e outros esportes que surgiram do prazer de chutar uma bolinha. Assim como o leite da vaca rende queijo, manteiga, iogurte e intolerância à lactose, o football de Charles Miller também rende seus subprodutos. Falaremos aqui de Futebol de Areia, Futebol de Salão, Futevôlei. Mas também de práticas malemolentes como Paredão, Porradabol, Freekick, Gol a Gol, Golzinho e outros rituais.

Comecemos com a brincadeira de Bobinho.

Que merda é o Bobinho? Qual é a graça do Bobinho?

Vamos às regras: um círculo formado por animais que chutam, uma bola e um animal inferior localizado no centro, que deve roubar a bola dos outros e, assim, ascender à posição de animal medíocre, passando o título de Bobinho para o animal que por último tocou na bola antes do roubo.

É isso.

Você, mulher que está lendo isso, que já faz uma concessão muito louvável e gosta da idiotice do futebol, deve estar pensando: “aí é demais, né, Bobinho é ridículo, affe!â€. Tá certa, ué.

Mas a gente gosta de jogar um bobinho antes do futebol, em si, começar. É uma espécie de aquecimento. Não tem sentido nenhum. O objetivo é fraco. Mas a gente gosta. E aí?

Vamos à história (chupa, Milton Neves): o Bobinho surgiu em uma partida da segunda divisão do Campeonato Carioca de 1951, quando 9 jogadores de linha do time do São Cristóvão resolveram, aos 31’ do primeiro tempo, parar de marcar o time do Goytacaz como forma de protesto pelos salários atrasados. Apenas um jogador do time continuava a marcar, um volante chamado Bob, estilo Charles Guerreiro. E por que só ele marcava? Comia a mulher do presidente.

Por outro lado, o time do Goytacaz também estava na merda, também com os soldos confiscados. E resolveu protestar também, mas a ideia deles era não atacar.

Resultado? Se estabeleceu uma roda no círculo central, os jogadores do Goytacaz apenas tocavam entre si enquanto Bob corria atrás. O jogo só terminou quando o cartola do São Cristóvão desconfiou da cena, entrou em campo puxando a mulher pelos cabelos e meteu bala no Bob. Morreu Bob e nasceu assim o Bobinho.

(Quê? Não acreditam na história? Primeiro chequem se as escalações jurássicas do Milton Neves são verdadeiras, depois me questionem, ok?)

Até hoje o Bobinho é praticado, sobretudo no Brasil, porque nós temos uma tendência natural às práticas sem sentido. Ele não ensina nada, não tem nenhuma lição no final. Ele é bobo. E a gente também.


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29
set
2010

Coisas que irritam no futebol – Parte 2

11

Tem tanta coisa que acho que a lista não tem fim...


por Lamartine du Derby



- Goleiro que faz pose pra foto. A bola vem devagar, aquela bola que até minha tia manca encaixaria...e o cara dá uma ponte pra sair na capa do jornal no dia seguinte. Filho da p...

- Lateral cobrado pra dentro da área. O cara toma impulso, mostra como a coluna dele é forte, feita de kevlar, talvez. Mas apenas 0,0028% destas cobranças terminam em gol.

- O Cléber Machado. Ele irrita. Ou não. Talvez ele até não irrite, se não disser algo irritante. Ou irrite, se disser algo que provoque a ira das pessoas. Ou não, claro.

- A “bolinha da globoâ€. Ela foi feita em uma parceria com a indústria de marcapassos, pontes de safena... tenho certeza!

- O Milton Neves e suas escalações do Bauru que disputou o paulistão do ano de 1961, ou do XV de Jaú, que ganhou do Santos de Pelé em 1959. Aliás, alguém já teve o trabalho de checar o que ele fala? Não vale a pena, né? Tudo bem...

- As estatísticas. TÔ CAGANDO se há 8 anos que meu time não ganha do outro no estádio tal, com chuva, lua cheia e em ano bissexto.

- O Luciano do Valle. Quando o Valdívia recebe a bola, ele diz “Kléberâ€. Quando o Kléber toca na bola, ele diz “Lincolnâ€. E quando o Lincoln finalmente toca na porra da bola, passa o aviãozinho da TAM e o Luciano baba o ovo do Comandante Rolim. Puta merda!

E você? O que te irrita no futebol?


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21
set
2010

Coisas que irritam no futebol

10

Não necessariamente nessa ordem, claro.


por Clint McGuinness



01 – O termo “verticalizarâ€. “O Vasco não pode verticalizar tanto a jogada†ou “O Neymar é craque  porque sabe verticalizar seu futebolâ€. Para de falar verticalizar! Por Deus do céu, para!

02 – Escanteio a meia altura. A dupla de gigantes da zaga do seu time atravessa o campo esperando a bola na cabeça e, de repente, lá vai o cobrador bater o escanteio na altura do joelho.  É pra suspirar viu...

03 – Escanteio rasteiro para a ponta da grande área. Alguém aí por favor me diga UMA ÚNICA VEZ em que isso deu certo. Só uma, basta uma!

04 – Jogada ensaiada que sai errado. Eles não ensaiam? Eles não treinam? Na boa, não consigo entender, mas é fato: a cada 10 jogadas ENSAIADAS, 8 saem erradas. Como é isso?

05 - “O Time tal é o Brasil na Libertadoresâ€. Não é não Galvão. Ou vc acha que o Grêmio torceu pro Inter? O palmeirense pro Corinthians? Isso irrita. Muito.

06 – Hino antes de jogos do Brasileirão... Seja ele regional ou o hino nacional. Irrita demais. Quero futebol e não essa bandinha com som de taquara rachada tocando...

07 – Replay bem na hora do gol

08 – Comentaristas que insistem em errar mesmo no replay

09 – Jogo às 19hs. Que porra de horário é esse?

10 – O Arnaldo. Ele diz que não foi penalti contra o meu time sempre

11 -  Jogador que faz coraçãozinho na hora de comemorar um gol.

12 – Mesa redonda depois de derrota do meu time.

13 – A frase “não existe mais bobo no futebolâ€.

14 – Escalar um ídolo (ex. Casagrande) para comentar jogo de seu ex-time (Corinthians).

15 – O tal BID. “O nome tem que estar no BID para poder jogarâ€... Ah, pro inferno...

16 – Times de Aluguel. Que o diga o Grêmio Prudente, ex-Grêmio Barueri.

17 – Lateral que vai na linha de fundo e, ao invés de cruzar, toca pra trás.

18 – Atacante que prefere cavar um pênalti do que chutar a gol

19 – Perder um gol porque mudei de canal.

20 – A bola está quase saindo, em cima da linha, e o maluco dá um bicão, como se fosse adiantar alguma coisa.

E vocês, meus caros, o que irrita vocês na horinha sagrada do futebol?


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