
Não há muito o que escrever sobre essas peladas de hoje à noite. São dois jogos com leituras muito simples: o do Flamengo é fácil e o do Inter, difícil.
Me lembro há alguns anos atrás quando o Cruzeiro enfrentou esse Real Potosi lá nos 4000 metros de altitude da Bolívia. Os mineiros foram lá, empataram em 1x1, mas no jogo de volta colocaram tudo em seu devido lugar com um sonoro e implacável 7x0.
E, olha, uma goleada é o mínimo que se espera do Flamengo hoje à noite. O time boliviano é péssimo e, mesmo enfrentando uma fase pra lá de duvidosa, a patota de R10 pode meter 3, 4 ali. É só querer.
Já o jogo do Inter é mais encardido. Os colorados terão que correr muito (e olha que a altitude lá na Colômbia do Once Caldas também não é mole não). O placar apertado conquistado em Porto Alegre (um 1x0 magricela e pouco convincente) dão o tom da dificuldade que o Inter terá pela frente, later on.
Mas ainda assim, acho que dá. O Inter tem mais time, camisa e tradição. E, na boa, para o bem da Libertadores, que dê Inter. O mesmo vale pro Mengão. Que o time de Luxa (que já começa a ver a sombra de Joel e Renato Gaúcho rondando a Gávea) faça o mínimo e goleie o tal Potosi.
O futebol agradece. E nós também.
Cheers!

Inter e Flamengo entram em campo nesta quarta-feira soberanos e favoritos absolutos para garantir a vaga definitiva da Libertadores desse ano. Entram em campo absolutos, assim como fez o Corinthians de Ronaldo ano passado. E é aí que reside o perigo.
A desclassificação corinthiana em 2011 foi constragedora e, mais ainda, desastrosa, antecipando em meses a aposentaria do gordito R9. Aquela eliminação serve de alerta para Inter e Flamengo. Para ser sincero, eu realmente acho que os times brasileiros não terão muito trabalho pela frente, mas como insistem em dizer por aí “não existe mais bobo no futebol”. Mentira, existe sim, e no dia em que um time de Arequipa for favorito contra qualquer time brasileiro eu “fecho a conta e passo a régua”, amigo.
Com relação as peladas, comecemos pelo joguinho do Inter. O adversário será o Once Caldas, timeco de tradição e que já eliminou muito time brasileiro na história da Libertadores. É carne de pescoço amigo, mas ainda assim acho que o Inter, cada vez mais copeiro, segue tranqüilo na competição.
Pensa comigo: Dorival tem na mão um time com Oscar, D'Alessandro, Dagoberto e Leandro Damião. Não dá pra pensar que esse time vá ter muito trabalho contra Onces Caldas da vida. Ainda que o time colombiano tenha raça e tino pra Libertadores, acho que a técnica colorada passará fácil pela raça dos caras. Dá Inter, 3x0.
Já o Flamengo viajou para Arequipa, e já começou o choro com o tão assustador doping natural resultado dos 4000 metros de altitude. Tudo bem, tudo bem, isso pode ser um problema, mas não acho que seja “O” problema. Antes de jogar contra o Real Potosi (que ostenta em seu brasão, um escudo igualzim ao do Real Madrid) o Flamengo terá que lidar com a crise interna que vem passando.
Ô timinho que gosta de se machucar, moçada. Já nos perguntamos isso aqui e volto a repetir: que capacidade é essa que o Flamengo tem de se fazer tão mal? E é essa auto-flagelação que pode comprometer o time em campo. O maior adversário do Flamengo nesse jogo, não é a altitude e tão pouco o Real Potosi, mas sim ele mesmo.
Que R10, Vanderlei e todo o resto aparem as arestas e entrem em campo para ganhar, porque do outro lado o timeco vai do Real Potosi vai voar baixo atrás da classificação. E esse joguinho, eles levam. Meu palpite: 2x0.
Enquanto Mengão e Inter tentam fazer sua parte, Corinthians, Vasco, Fluminense e Santos já estão lá. E nada mais justo, afinal, todos eles fizeram direitinho sua parte no ano passado e não terão que passar por essa fase cretina e arriscada da competição.
E aí, o que vocês acham? Teremos Inter e Mengão na fase grupos?
Soltem o verbo, mates!
Cheers

Ontem o Santos foi ao Paraguai e embolsou a classificação pra final da Libertadores, em um jogo meio bagunçado contra o Cerro Portenho. Classificação mais que justa, justíssima e soberana.
Você, grande apreciador da arte da bola, já deve ter percebido, ou pelo menos ouvido, que o Santos está com “futebol de campeão”. E está mesmo. O time está compacto, com as peças certas nos lugares certos, com Neymar jogando só futebol e, sobretudo, a cara escarrada do Muricy no esquema de jogo. Ao que tudo indica, será campeão. E isso é bom e ruim.
Bom para a torcida do Santos, que está perto de ver seu time voltar a brilhar no cenário internacional depois de décadas. E que tudo mais vá pro inferno.
Ruim para o futebol bonito que gostamos de assistir, pois os times do Muricy não trabalham com isso. Pelo menos tem o Neymar pra fazer uma firulinha ou outra por jogo e deixar mais divertido. Mas até quando?
Se o Santos for Campeão da Libertadores, sinceramente, quero muito que Neymar e Ganso permaneçam, pois sem eles o time jogará mais feio que o São Paulo de 2007/2008. Mas será irritantemente competitivo. Se ganhar do Barcelona no mundial com esse futebolzim safado então, é a morte. Nietzsche certa vez disse “Deus está morto”. Clint McGuinness dirá “o Futebol está morto”.
Sobre o jogo em si, com Zé Love fazendo gol e aquele goleiro jogador de peteca, realmente podemos dizer que o Muriçoca também tem o rabo virado para lua, que sorte! Em poucos minutos o placar estava 2x0 com esses gols inusitados.
E o pirocóptero na cabeça do Muricy? Machucou mesmo ou agora temos a nova modalidade “catimba de técnico”?
Libertadores vale tudo! Só não vale....isso aqui.

Me lembro da reta final da primeira fase dessa Libertadores, quando o Santos havia se complicado e não podia mais pensar em perder na competição.
O jogo em questão era contra o próprio Cerro, lá no Paraguai. Pra piorar, meia dúzia de jogadores estavam machucados, suspensos, ou seja lá o que for. A solução: Paulo Henrique Ganso. Naquele jogo, o moleque jogou tudo que sabia e mais um pouco. Resultado: o Santos arrancou uma vitória em Assunção e partiu para uma classificação mais tranqüila, na semana seguinte, em casa.
De lá pra cá, muita bola rolou e algumas coisas mudaram bastante. No jogo de hoje, por exemplo, o time de Muricy não terá Ganso. Pior seria se sua ausência fosse algo recente, da semana passada pra cá, por exemplo. A “sorte” é que o Santos tem aprendido a jogar sem o cara e, o melhor, tem se tornado cada vez mais consistente e encorpado nessa reta final da Libertadores.
Convenhamos, esse Muricy é um sujeito tinhoso. Se por um lado, sempre teve dificuldades em montar esquemas ofensivos, por outro arma defesas como ninguém. No Santos, tem vivido uma angústia tremenda já que não consegue conter o ímpeto ofensivo da moçada e, ao mesmo tempo, tem que dar seu jeito pra segurar tudo lá atrás. E, sim, tem dado certo. Muito certo.
Com a vitória semana passada, o Santos joga pelo empate e pode perder desde que marque, mantendo a diferença de um gol. Se perder por 1x0, o jogo vai pros penaltis. É com esse regulamento embaixo do braço que Muricy e Cia entrarão em campo hoje a noite.
E não nos enganemos, do outro lado tem um bom time. Raçudo, forte e com disposição pra lá da prudência, o time do Cerro deposita todas as suas expectativas em um rapazinho chamado Jonathan Fabbro. Sujeito com uma bola bem acima da média do resto da equipe. É craque, mas nem de perto, craque como o Neymar.
Nome por nome, o Santos é favorito disparado. Nessa Libertadores, no entanto, isso não tem tido validade alguma. É jogo complicado, pegado e de muita disposição, mates. Hoje é dia de Neymar, Zé Love, todo mundo voltar pra marcar. Sem isso, não dá. Nosso palpite: 2x1, com direito a muito sofrimento e porradaria no fim do jogo.

Você aí: já colocou a cervejinha pra gelar? Deixou de cortar a unha para descascar o pistache? Já mandou a mulher pro lanchinho com as amigas? Hoje aquela sala de TV é seu reduto, meu amigo. Aquilo ali será sua glória. E se prepare, a noite será quente. Hoje a barba cresce, meu caro. Hoje é um daqueles dias em que meninos viram homem.
Quem entrar em campo mais tarde vai suar sangue, seja pela vaguinha na final da Libertadores ou então pela tão sonhada chance de brigar pelo título da Copa do Brasil. Vamos aos palpites:
Libertadores
Santos X Cerro Porteño
De um lado o Santos encara o Cerro Porteño, do outro o Peñarol recebe o Velez Sarsfield. As semifinais dessa Libertadores acabaram ficando sensacionais. Estamos de frente com times de tradição, mates. Tem muito título, muita história em campo hoje a noite.
Com relação ao jogaço do Santos, acredito muito na vitória dos brasileiros. O time de Muricy vem de uma maratona impressionante de decisões. Desde as finais paulistas, passando pelo mata-mata da Libertadores, a molecada da Vila Belmiro tem jogado sempre com a corda no pescoço. E, que maneiro, vê-los dando conta do recado. Mais legal ainda é ver o Neymar chamando a responsa, matando no peito e indo pra cima dos (quase sempre atordoados) zagueiros adversários. Pegue isso e some ao endless mojo de Muricy e não tem erro, dá Santos. Nosso palpite: 2x0
Copa do Brasil
Coritiba x Ceará
O jogo de ida foi 0x0. Isso é sinal de que teremos um jogo pra lá de equilibrado no Couto Pereira. Com a campanha que vem fazendo esse ano e, principalmente, pela bola que vem jogando, o Coritiba é favorito. Eu, particularmente, estou torcendo pros caras. Nada contra o Ceará, pelo contrário. Acho que o Vozão já brilhou e muito nessa Copa do Brasil. Agora é hora do Coritiba celebrar o excelente ano com essa vaguinha na final. Nosso palpite: 2x0
Avaí x Vasco
No jogo do Rio, o Vasco vendeu a alma pro capeta, pra arrumar aquele penaltizinho “maroto” no fim do jogo. O time de Silas, mais uma vez, deu provas de que quer e muito a chance de brigar pelo título. Admito, que gostaria de ver uma final entre Vasco e Coritiba. Seria emblemático ver os times, recentemente rebaixados, brigando por um título tão importante. Só que pra isso, o gigante da colina vai ter que jogar bola. Exatamente o contrário do que fez no Rio. Vai ser difícil, mas acho que dá. Nosso palpite: 1x2
E você, concorda? Discorda? Copie e cole os jogos abaixo e dê seus palpites nos comentários.
Santos x Cerro Porteño
Coritiba x Ceará
Avaí x Vasco

O Mengão eliminou o Fluzão da Taça Rio e, consequentemente, do Campeonato Carioca de 2011. Tirou uma onda, zoação pra todo lado, “esculaxo” e tudo mais. Mas e o Fluminense? Tá triste com a derrota?
Dizem por aí que nem tanto. Depois da heróica façanha contra o Argentinos Juniors na semana passada, o escrete tricolor ficou com crédito. Claro, perder campeonato nunca é bom, mesmo que seja o mambembe campeonato da terra do Caixa D’Água (saudades...mentira!). Mas a classificação legendary na Libertadores deu saldo suficiente para a torcida do Flu não reclamar da derrota na Taça Rio.
Mas e para o time, foi bom perder? Tem comentarista dizendo que sim, pois “agora o Flu pode se concentrar no Libertad”. Mas tá aí um dos grandes mitos do futebol. Achar que tempo para descansar, treinar e concentrar resolve tudo. Um grande frescura repetida por jogadores, técnicos e imprensa para iludir o torcedor.
Veja bem, dado o potencial sobrenatural e de mojo deste time do Flu, seria melhor que ele continuasse no Carioca, da mesma forma que continuou na Sulamericana em 2009 e mesmo assim conseguiu a façanha de escapar da degola no Brasileiro. “Tempo pra pensar no adversário” acaba com qualquer time. Tem é que jogar e ir no embalo.
O Cruzeiro de 2003 largou o Campeonato Mineiro pra priorizar a Copa do Brasil? Não, ganhou os dois, e ainda levou o Brasileirão depois. Assim como o Corinthians de 2009 e o Santos 2010. O São Paulo de 2005 ganhou o Paulista e a Libertadores!
O embalo é tudo na vida de um time. Quando tá descendo na banguela, sai atropelando todo mundo. O elenco não pode ter tempo pra pensar, faltar treino, arrumar briguinha de bastidores...tem que manter os caras ocupados, ou seja, jogando!
Não é à toa que o time do Flu em 2009 encaixou de repente e virou o melhor time do Brasil nos últimos 2 meses do ano. Tanto que e livrou de um rebaixamento dado como certo e quase beliscou uma Sulamericana.
Portanto, a derrota para o Flamengo, apesar de não ser nenhuma catástrofe na história recente deste empolgante Flu, pode atrapalhar o embalo do time rumo ao inacreditável nesta Libertadores.
Torço para estar errado, pois é bom parar pra ver o Fluminense jogar.

É, garotada, o Corinthians estreou na pré-libertadores já no sufoco, que gastura! Que agonia! A Fiel lotou o Pacaembu esperando aquela goleada cremosa e nada, afinal o tal Deportivo Tolima não é bobo (o futebol colombiano sempre tem alguma qualidade) e o Corinthians na Libertadores sim, é bobo. Fazer o quê?
E olha que ainda teve gol anulado dos caras...
O Timão até que entrou esforçado, tava no clima de Libertadores, vibração, garra em alguns lances. Ronaldo até deu uns piques aqui e ali, rapaz! Mas faltou serenidade pra vencer um time na retranca, um problema que o São Paulo, por exemplo, conhece bem (ah, Once Caldas).
Nós, do Canetada, não podemos deixar de lembrar dos poderes mandingueiros reversos do futebol. Ali no Parque São Jorge tem uma mandinga cabreira que atrapalha o Timão na Libertadores. Isso é fato. Científico. Não discutam isso, tá?
E a cada edição do torneio, a maldita vai ganhando gordura e ficando mais obesa. São Jorge vai ter trabalho pra dar conta deste dragão.
Mas vamos lá, cumprindo com minha obrigação jornalística de clichê:
Nada está perdido, o Corinthians é mais time e tem tudo pra vencer o Tolima lá na Colômbia. Basta ter calma, controlar os nervos.
Vamo que vamo!

100 anos. O Corinthians chegou lá. O mais maltratado, humilhado, estigmatizado, discriminado e destrambelhado dos clubes brasileiros chegou à sua primeira centena de anos mal vividos.
O time que mais tempo ficou em jejum de títulos dentre os grandes, foram 23 anos entre 1954 e 1977. Que até 1990 (seu aniversário de 80 anos!) só ganhava o paulistinha.
Que até ganhou alguns títulos importantes depois disso, mas muitos deles questionados por erros de arbitragem. E nenhum deles de relevância internacional.
Sem nenhuma libertadores! Nem uma sul-americana, nem uma copa comenbolzinha sequer!
Sem passaporte.
O time que dizem ser dos pobres, favelados, maloqueiros e sofredores. Ou como cantaria o comedor Chico Buarque, se corintiano fosse: “o time da romaria dos mutilados, da fantasia dos infelizes, do dia a dia das meretrizes, dos bandidos, dos desvalidos...”.
O time dos para alguns indesejáveis, porém indispensáveis, motoboys decepadores de retrovisor.
O clube que em 100 anos não conseguiu construir uma porra de um estádio para jogar! Até a transposição do Rio São Francisco conseguiu começar antes do Corinthians construir sua casa! Até o Roberto Marinho conseguiu morrer antes disso acontecer! Ocorrerá o mesmo com Oscar Niemeyer? Incrível!
“Corinthians, um time de merda que fez 100 anos ‘sem ter nada’”, diria um torcedor adversário com desprezo.
Mas hold on! Se é um time tão desgracento sem-vergonha, por que estou ouvindo fogos de artifício intermináveis nesta madrugada de 1º de setembro de 2010, do alto de meu modesto flat alugado na região central de São Paulo (vim a trabalho, cobrir o aniversário do Noroeste, que também faz 100 anos hoje, olha que legal!)?
Por que tem tanta gente feliz com o Corinthians? Mais além, por que TANTA gente torce pelo maltrapilho time alvinegro? É a segunda maior torcida do Brasil, e isso sem os argumentos de “hexacampeão”, “tri mundial” e “libertadores” no currículo. E mais: sem a ajuda dos meios de comunicação dominantes, que favorecem o futebol carioca nas transmissões para o resto do Brasil.
Por que o Corinthians consegue ser um time grande, afinal?
Tradição talvez. Carisma? Pode ser. Identificação com o povo? Com certeza! O time dos favelados consegue vencer os times da classe média e da elite. E em cada pequena vitória, uma comemoração enorme. No Corinthians, qualquer torneiozinho vencido é uma glória sem tamanho. Tem felicidade ali, amigo.
{modo polêmico on} Não é à toa que o Palmeiras só é um time grande ainda porque o Corinthians precisa de um rival à altura para jogar um clássico. Se não já tinha virado um Guarani. Também não é á toa que o São Paulo morre de inveja do Timão, pois por mais que vença 300 mundiais, nunca vai ter uma torcida masculina como o alvinegro. E também não é à toa que o Santos pode ter o craque moleque que for, mas não faz diferença, pois todo mundo conhece no máximo uns dois ou três torcedores do Peixe. {modo polêmico off}
Os três outros grandes paulistas consideram o Corinthians como seu principal rival. Tô mentindo? E o resto do país também respeita, pois se brincar seus estádios são invadidos por um bando de 70 mil loucos.
Um time capenga, mas que tem um charme. Pobre, mas feliz. Perdedor, mas invejado.
É, Corinthians. Você definitivamente não é o campeão dos campeões. Também não é orgulho dos desportistas do Brasil. Mas com certeza é o clube mais brasileiro!

O Giuliano me lembra este rapazinho que estampava a capa das revistas MAD. Lembra? Uma revista toda engraçadinha que fez bastante sucesso na década de 80-90 aqui em terras marajoaras? E por isso sempre ria quando o via jogando. Era tiro e queda: ele aparecia na TV e eu começava a rir em um daqueles momentos “piadas internas” que mais ninguém acha graça, só você.
O fato é que, apesar dessa cara de moleque, o Giuliano joga um futebolzinho fino viu, de gente grande. E pra piorar, ou melhorar, sei lá, além de craque o cara estava com a estrela esse ano. Ele estava naquela fase da bola resvalar nele e entrar, bater em 4-5 jogadores até cair no pé dele de cara pro gol. Alguns o chamam de predestinado e outros de talismã. Chame como quiser o que vale mesmo é o estado de “mojo” supremo que esse rapazola anda vivendo.
Nessa Libertadores o Giuliano foi reserva do Internacional. Foi reserva e artilheiro do time na competição. Fez seis gols e (quase) todos decisivos, classificatórios, fundamentais. O último deles um belo de um golaço, deixando claro que no Rio Grande, tem raça sim, mas muito mais que isso tem futebol-arte também.
De todos os tentos do jaqueta nº 11 do Inter, talvez o mais importante tenha sido contra o Estudiantes, lá na Argentina, pelo jogo de volta das quartas-de-final. Já era fim de jogo, 43’ do segundo tempo, campo apertado, torcida em cima, fumaceira. Lá foi ele e “tuk”. Gol. Inter classificado. Isso sem falar do gol contra o medroso e retrancado São Paulo, no Beira-Rio, e os gols nos dois jogos da final contra os pugilistas do Chivas.
Na categoria dos “mojados” do futebol, Giuliano cortou caminho e foi lá pra cima da lista. Essa listinha tem gente que carregou sempre o tal mojo na sua carreira, como Pelé, Maradona, Romário e Zidane. Tem também aqueles heróis de apenas uma temporada como Túlio Maravilha e Jardel. E, claro, tem os mojados de um jogo só, como o próprio Gabiru no mundial interclubes pelo próprio colorado.
O fato é que essa lista tem Giuliano all over it. Bom pra ele e bom pro Inter...
E ruim pros gremistas, claro.

Ontem pela tarde, por volta das 17h, abandonei brevemente meu posto na redação do Canetada e desci até a rua, a fim de pitar um pouco e sorver uma dose de conhaque na bodega do Aristeu.
Ao balcão, encontrei um chapa gaúcho, gremista, amigo de longa data, e lhe cumprimentei com o pouco que sei do dialeto falado nos pampas:
- Te apresenta, guerreiro! Que fazes por aqui, tchê?
- Bueno, caro Lama, vim prestar um concurso público, aquele para fiscal aduaneiro.
- Mas bah, guri, o concurso é daqui a um mês!
- Eu sei...mas resolvi vir antes e ficar por aqui. Tá difícil ficar em Porto Alegre ultimamente.
Entendi o sofrimento do homem e me retirei, pois ele não estava com um bom mood. E por que? Porque ontem a metade azul do Rio Grande sofreu um golpe duríssimo. Campeão da Libertadores, o Sport Club Internacional de Porto Alegre igualou os feitos relevantes do Grêmio e deixou a maior rivalidade do país ainda mais acirrada.
Assim como meu chapa gremista, outros tantos foram vistos cruzando a fronteira com Santa Catarina, num mar azul feeling blue, entristecidos pela humilhação colorada e a necessidade de migrar para evitar a gozação. A BR-101 nunca esteve tão engarrafada de rancor.
Cabe ao Grêmio erguer-se, devolver o golpe. A ver quando.
Parabéns, Colorado. Campeão da Libertadores com todos os méritos. E com tudo que essa competição desperta: garra, vibração, emoção e porrada no final. Galvão achou lamentável a briga no final. Eu achei linda. A voadora do Índio no peito do zagueiro mexicano onde-os-fracos-não-têm-vez foi de uma dignidade tremenda. Merecia.
Pra finalizar, sim, Celso Roth agora é técnico de primeira linha. Se você não é colorado, prepare-se: o seu time vai querer contratar ele um dia.
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