Canetada – A comédia do futebol em crônicas e críticas cretinas

Um tablóide digital que não volta pra marcar

Aperriando o juízo desde 2010

  • Futebol Arte

18
dez
2011

O dia em que o Santos foi Real Madrid

1

E sofreu bullying igual ao time merengue.


por Lamartine du Derby



É, meus senhores. Desta vez a caixinha de surpresa ficou fechada. O imponderável não deu as caras. E a zebra ficou mesmo no zoológico.

Para enfrentar o Barcelona, o Santos entrou em campo de branco, como o Real Madrid. Foi a deixa para o time catalão ficar bem à vontade e jogar aquela pelada gostosa de churrasco, sem suar muito, só no futiba arte. Acostumado a massacrar o arquirrival espanhol, contra o Santos além da ajuda cromática, havia Durval para dar uma força e um Muricy querendo jogar como José Mourinho. Fechadinho lá atrás e querendo encaixar um contra-ataque. Erro juvenil, convenhamos.

Muricy estudou o time azulgrana e decidiu por uma marcação sem afobamento, apenas cercando o adversário para jogar no seu erro. Deu espaço. E esqueceu que o Barça erra pouco, ou quase nada.

Acredito eu que o melhor que o Santos poderia fazer era morder mais, fazer faltinhas, jogar contra o Barcelona como jogaria contra um Independiente em Avellaneda. Raça no meio de campo. O mínimo que se pode fazer é incomodar os caras, para aí, quem sabe, encaixar uma jogadinha, meter um gol e deixar o Puyol de cara feia (mais).

Claro, é muito fácil falar agora que o pudim desandou. Provavelmente em qualquer cenário o Santos perderia este jogo. Mas enfim, como somos metidos a técnicos, comentamos e cornetamos.

O fato é que o Barcelona é um timaço e somos muito felizes em podermos vê-lo jogando. Ainda há esperança no futebol, os grandes times ainda vêm a este planeta. Estamos testemunhando história.

E ainda há gente no Brasil que desmerece os caras, diz que "contra o Málaga é fácil", que o Messi "não é tudo isso" e que o Guardiola "no Brasil não seria um bom técnico". Nessas pessoas falta a simplicidade para admitir que nem sempre temos o melhor futebol do mundo. E é excelente que seja assim, queremos um esporte competitivo, não é mesmo? Nossos times são competitivos e o Santos venceria a maioria dos times europeus, mas contra ESTE, não dá. Mesmo!

Ao Santos, resta admitir o baile com dignidade e seguir em frente, pois é um clube em franca evolução e que dá muitas alegrias a quem gosta de futebol bem jogado. Apesar do Muricy...

Visca el Barça!


Em: Baixa tua bola, Futebol Arte
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17
nov
2011

Um raio cai sim duas vezes no mesmo lugar

0

Flu e Gêmio repetem a dose e fazem outro jogo histórico nesse brasileirão.


por Clint McGuinness



Quarta-feira, 27 de julho de 2011. Santos e Flamengo faziam o maior jogo do campeonato brasileiro de 2011. Um espetáculo grandioso, com atuações gigantescas, em uma noite em que só houve um vencedor: o futebol brasileiro.

Passados quatro meses, Fluminense e Grêmio entraram em campo e, quem diria, repetiram a dose em um jogo pra lá de inesquecível. Foram duas viradas, infinitas bolas na trave, lances polêmicos e um nome, Fred.

Se em julho Ronaldinho e Neymar jogaram demais, ontem, Fred olhou pros céus, e disse:

“Dá licença velhinho, mas hoje a noite é minha. Pode descansar”.

O cara estava impossível, meteu 4 bolas lá dentro e, por azar, esse número não subiu para 6 ou 7. Acredite, nosso querido apreciador de caipisaquê ainda perdeu dois ou três golzinhos que normalmente entrariam. Ah Fred... se você não fosse tão sem-vergonha poderia ter sido um Van Basten, um Careca...

Mas não foi só ele. A noite também teve Brandão e Rafael Sóbis que jogaram o fino da bola. Foi bacana demais ver um Grêmio, que não tem mais nada o que fazer nesse Brasileirão, correndo muito e jogando pra ganhar. E olha que a vitória gremista daria uma bela força ao rival colorado.

Que nada, mates. A moçada de Celso Roth foi pra cima e só não ganhou por um desses acasos da bola. Aliás, assim como no jogo lá de julho, ontem não importava mais quem fosse o vencedor. Deu Fluminense, OK, mas poderia ter dado Grêmio também. Daria na mesma.

Explicar o jogo é fácil. Basta mostrar o andamento do placar:

0x1
1x1
1x2
2x2
3x2
3x3
3x4
4x4
5x4

É, meu povo, o placar não sabia em que lado parar. E para matar todo mundo de vez do coração nos últimos dois minutos, duas bolas na trave. Uma pra cada lado.

Obrigado Fluminense, muito obrigado Grêmio. Ontem, graças a vocês, tivemos novamente uma grande noite do mais puro futebol.

Sem gelo, sem nada. Cowboy mesmo.


Em: Campeonatos Brazucas, Futebol Arte, Mojo
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01
nov
2011

O Novo Futebol Parnasiano

0

Um manifesto de resgate ao que há de mais bonito no mundo da bola.


por Clint McGuinness



Com algumas exceções, ver futebol hoje em dia tende a inércia da chatice sonífera. É uma correria desenfreada, marcação absurda e, quem sabe, assim meio que sem querer, um lance de talento isolado aqui, outro bem acolá.

Tem sido tão chato, que gols minimamente bonitos são tratados como raridades. E por isso, aqui estabeleço um manifesto que pretende resgatar o que há de mais ingênuo, bonito e puro no futebol no mundo da bola: a arte pela arte. Estou falando do Futebol Parnasiano. Sem tirar nem por.

“Mas o que é isso? Justifique e dê dois exemplos, Clint, seu velho gagá.”

Acalmem-se, ó ávidos coçadores de saco escrotal, aqui vamos nós:

O Futebol Parnasiano surge como uma declaração pública de princípios e intenções para alertar, jogar na cara, espalhar no ventilador toda a “intermitência” que tem sido feita do futebol hoje em dia.

Contra a pujança tática, o limite físico e o modelo focado em resultados, propomos aqui um novo paradigma que resgate uma época em que o ponta direita não era saci pererê e atacante fazia mais do que empurrar a pipeta pra dentro do gol. A vanguarda de nossa teoria vem contestar uma estrutura engessada-muriciana-titesta-rothiana de organização futebolística. E contra toda essa nova corrente, sugerimos um Futebol (com F maiúsculo) que contemple:

Preciosismo
O jogo deve focar o detalhe, a pelota, o drible, o gol no ângulo, o zagueiro estarrecido, o grito de vitória, a luta, a consagração.

Objetividade e impessoalidade
O técnico de futebol não só deve como precisa mostrar sua tática, elaborar seus planos de jogo, mas nunca deverá impor aos seus jogadores como eles colocarão isso em prática. Nada de aleijá-los com sua forma pessoal de ver e encarar o jogo.

Arte pela arte
O drible vale por si só e não tem absolutamente nenhum tipo de compromisso, justificando-se exclusivamente pela sua beleza. É matéria obrigatória em toda escolinha de futebol: para passar de ano todo jogador, inclusive os candidatos a Junior Baiano, devem saber aplicar a sequência: elástico do Rivelino + pedalada do Robinho + arrancada do Ronaldo + rodadinha por cima do Zidane. E para o louvor na nota máxima, tem que finalizar com um gol de biquinho.

Estética e culto à forma
Apesar da importante aplicação tática sua forma jamais, irá se impor sobre a beleza de um drible bem aplicado, seguido de um zagueiro constrangido... Jamais!

E assim, encerro, em tão mal traçadas linhas, o Manifesto do Novo Futebol Parnasiano. Que Olavo Bilac e seus comparsas me perdoem, mas esta na hora dos novos parnasianos voltarem a ser Romários, Bebetos e Ronaldos. Cabe até um Ronaldinho Gaúcho aí...e olhe lá!


Em: Contos, viagens e devaneios, Futebol Arte

26
out
2011

Grande Vasco!

4

O Gigante da Colina segue suave em 2011


por Clint McGuinness



Não, eu não sou vascaíno. Aliás, dos times do Rio, sempre preferi ver jogos do Fluminense, Botafogo e Flamengo. Ainda assim, não posso negar: que bela equipe essa do Vascão. Que fome de bola, que sede de título é esse moçada?

Eu acabei de assistir o joguinho entre Vasco e Aurora pelas oitavas de final da Sulamericana. E que bela surpresa... Enquanto a gente vê muita gente dando vexame nessa competição, lá vem o Vascâo para surpreender. Diga-se de passagem que se algum time pudesse ignorar completamente a Sulamericana, esse timeco seria o Vasco. Os caras já levaram a vaguinha pra Libertadores quando ganharam a Copa do Brasil e, não satisfeitos, são líderes do Brasileirão.

De que serve a Sulamericana então? Ué, a lógica é simples: competição internacional, vontade de vencer, profissionalismo. Mistura isso tudo aí e estamos diante de um time pra lá de empolgado toda vez que entra em campo.

Hoje os caras meteram OITO gols no tal Aurora. E, olha, depois do primeiro gol não bastava de mais nenhum. Que GO-LA-ÇO do Bernardo! O cara merecia placa, grito de torcida, site, canal no youtube, página no facebook e seja lá o que for só para ter esse golzinho eternamente homenageado.

(tempo real: gol do Universidad do Chile – mais um vexame brasileiro, meu pai)

Muita gente andou falando (e admito que até eu achei) que o Vascão entraria em campo com o freio de mão puxado. Rapaz, a moçada ali correu mais que o cafu com 18 anos. E, quem diria, até o Alecssandro jogou muito. E, meus amigos, que beleza ver o Juninho batendo na bola.

Em poucas palavras: dá gosto ver jogo do Vasco. Seja pelo Ricardo Gomes, seja pela camisa, pela torcida... Seja pela sua tradição, esse time faz valer aquela camisa toda vez que entra em campo. Dá gosto.

Tenho um grande amigo vascaíno que hoje me disse uma coisa muito interessante:

“Olha, prefiro muito mais ganhar a Sulamericana do que ser terceiro, quarto ou quinto no Brasileirão. Estamos falando de uma vaga pra Libertadores, de um título internacional! Há quanto tempo Botafogo ou Flamengo não levam uma copinha? Qualquer uma, latina que seja?”

Eu vou tirar razão do cara? Ele, já está com a vaga na Libertadores, é líder do Brasileirão e anda vendo seu time correndo como um louco para levar a Sulamericana.

Eu? Discordar dele? Nem pensar.
E vocês?


Em: Futebol Arte, Mojo
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28
jul
2011

Flamengo e Santos, que espetáculo

13

Um épico em 3 atos.


por Clint McGuinness



Quarta-feira, 27 de julho de 2011. Guarde essa data. Este foi o dia em que Flamengo e Santos entraram e campo para fazer um dos maiores jogos que já aconteceram nessa terrinha brazilis. Foi lindo, épico e consagrador. Joguinho providencial para lavar a alma machucada de todo brasileiro ainda traumatizado pela constrangedora campanha da Seleção na Copa América.

Vamos à pelada. O começo foi esquisito. O Flamengo jogava melhor e meio que assim, de repente, 2 x 0 pra molecada da Vila. Ok, sejamos justos aqui. Embora o Flamengo como um todo jogasse melhor, do lado de lá Elano, Ganso, Ibson e Neymar estavam brilhando. O primeiro gol, por exemplo, surgiu de um passe brilhante de Elano para Borges. Borges, aliás, que estava iluminado e também empurrou pra dentro a bola do segundo gol depois de uma jogadinha toda do Mohican Neymar.

O jogo, no entanto, estava apenas esquentando e sua história seria decidida em 3 atos. Vamos a eles:

Primeiro Ato
Gol de placa do Neymar. Depois de deixar dois marcadores pra trás e de constranger o Angelim com uma meia-lua pra lá de improvável, Neymar só empurrou por cima do Felipe. Gol para se aplaudir de pé. O Jô Soares daria um daqueles gritinhos irritantes: “Bravo!”. Eu prefiro bater palmas. Como toda a Vila fez ontem.

Era isso. 3x0 e, convenhamos, jogo decidido.

Segundo Ato
Mas eis que a pelada muda de lado. E com a maré virada Ronaldinho e Thiago Neves começaram a confirmar que todo investimento que fizeram neles valia mesmo a pena. Dois gols relâmpagos que trouxeram o Mengão de volta pra partida. Ronaldinho, aliás, queria jogo ontem. E como jogou bola. Jogadas de efeito, passes brilhantes, dribles desconcertantes. Enfim, ontem, assistimos o R10 de antigamente. Que ele continue assim.

O jogo seguia 3x2, com o Flamengo crescendo em campo, quando o Neymar cava um pênalti que, provavelmente, decidiria o jogo. Ducha de água fria número 1 no Mengão. Elano vai pra bola. Ele mesmo que bateu aquele penaltizinho contra o Paraguai. Lá vai ele e... cavadinha! Quem diria, Elano batendo de cavadinha. Admita, nem você esperava por isso.

O problema é que para fazer isso é preciso ser meio “loco”. Aliás, tomando seu chimarrão o folclórico Loco Abreu deve ter soltado uma leve risada: “Não sabe não faz!”. Bom para o Felipe que não só agarrou o pênalti como também fez embaixadinhas. Deboche permitido, consumado e louvável. Ali, meus caros, o goleiro rubro-negro brilhou. Brilhou e incendiou seu time que logo em seguida empatou a partida. Fim do primeiro tempo: 3x3. Reação que já era histórica.

Terceiro Ato
Veio o intervalo. Imagino como foram as conversas de vestiário...brigas? Euforia? Muricy arrancando os poucos cabelos que tem?

Deve ter dado um esporro, e que aparentemente funcionou, pois Neymar foi lá e tuk, outro belo gol. Ducha de água fria número 2 no Mengão. De cavadinha cobertura...seria uma vingança pelo amigo Elano? Talvez.

Porém, mesmo com o gol de Neymar, o Flamengo continuava muito bem no jogo. Wanderley percebeu que não dava mais pro Angelim tentar marcar o Neymar e colocou o bulldog Williams na sua cola. Agora sim, o Santos começava a amansar. Era o sinal.

E o Mengão crescia, contagiado pela bola fina de Ronaldinho. Em mais um lance brilhante, driblando 3 jogadores em um espaço de uma lajota (Edu Dracena tá escorregando na grama até agora), ele consegue uma falta na entrada da área santista. O dentuço vai pra bola. O goleirão arma a barreira. Ela pula. Ronaldinho apenas rola por baixo dela. Gol de Gênio. De craque. Lá estava eu aplaudindo de pé novamente. Sublime!

A essa altura não importava mais quem ganhasse o jogo. O espetáculo estava armado.

Mas para coroar a noite épica, a sorte e a competência do Flamengo, Ronaldinho fez mais um e garantiu a vitória. Épica.

Mas na boa? Não importa. Não mesmo. Uma pena que esse jogo não tenha sido uma final. Ele merecia ser uma final. Daquelas com camisa comemorativa daqui há dez anos, com novos gritos de torcida.

Que jogão. Obrigado a Flamengo e Santos, por uma verdadeira noite de futebol.


Em: Futebol Arte
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28
out
2010

Os 11 que mais marcaram no futebol

15

Quais jogadores, posição por posição, me faziam parar em frente a TV.


por Clint McGuinness



Hoje acordei com vontade de fazer uma lista. Gosto de listas. É típico meu: Clint McGuinness gosta de enumerar coisas. É assim com filmes, livros e porque não com jogadores. Pensei então em uma listinha que mostrasse quais jogadores, posição por posição, mais me marcaram no futebol. Que fique claro: não são os melhores da história em cada posição, mesmo porque não vi jogar muito craque que é considerado o melhor nisso ou naquilo.

Essa lista tem aquela moçada que me fazia parar, qualquer hora e qualquer lugar, para vê-los jogar. Podiam até não ser os melhores (por coincidência, a maioria era) mas, com certeza, foram e são os caras que fizeram a diferença... pelo menos pra mim.

Ah sim, e na minha lista tem mais uma galera de meados da década de 80 pra cá... Antes disso minha vibe estava mais pra bocha e curling...

Bom, para montar minha lista vou tomar como base um 4-4-2 básico. Vamos à ela:

Goleiro - Taffarel
Não era o melhor, fato. Como diria Américo Coimbra, nosso colaborador, Júlio César talvez até seja melhor. Taffa, no entanto, marcou uma época, foi épico e campeão em 94 e heróico em 98. Além disso, nos deu de presente o Galvão gritando “Sai que é sua Taffareeeeeeeel”. Lindo!

Lateral direito – Jorginho
Gostem ou não, o Cafu foi o melhor de sua época. Só não foi mais “reconhecido” (e quero que alguém me aponte algum contemporâneo dele que tenha sido melhor) porque seu antecessor foi o Jorginho. Esse sim era preciso, classudo e jogava muita bola. Ah, sim e sabia cruzar... ao contrário do Cafú.

Zagueiro – Mauro Galvão
Quase coloquei Aldair aqui... Tinha o Baresi também, mas vi pouco, apesar de ter visto só coisa boa. Fiquei com o Mauro Galvão pela classe. As antecipações dele, deus do céu. Ele era brilhante.

Zagueiro – Gamarra
Cabeça em pé, marcação dura, porém limpa. Se “zaga” fosse curso superior, deveria existir Gamarra 1, 2 e 3 nos primeiros semestres da formação. O melhor que vi jogar.

Lateral esquerdo – Roberto Carlos
No comments. Mesmo hoje, enquanto consegue jogar nos 45’ minutos iniciais, RC é bem melhor que os outros. No seu auge então, sai de baixo. Ta aí, outro problema que o Cafu tinha era a existência do Roberto lá do outro lado. Ele era tão melhor que não importava quão bom fosse o marido da Regina, lá do Jardim Irene.

Volante - Lothar Matthäus
Coloquei o Matthäus como volante porque foi como o vi jogar, já na do meio pro fim da carreira dele, ali na copa de 90. Eu sei que antes disso ele brilhava com a 10 do meio pra frente, mas como volante o cara era um monstro, jogava limpo e com uma elegância enorme. E o melhor, derrubou Los hermanos argentinos no final da copa da Itália.

Volante – Diego Simeone
Por pouco não foi o Pirlo aqui, ou o Redondo, quem sabe até o francês Deschamps , mas vou ficar com o odiável Simeone porque preciso de um volante raçudo nesse time aqui. Caso contrário, vou tomar peia atrás de peia. E, convenhamos, odiamos ele, claro pela catimba, mas principalmente porque o cara era bom... demais!

Meia – Ronaldinho Gaúcho
Moçada, aquele Ronaldinho do Barcelona era mágico. Não tem como o cara ficar de fora. Jogo do Barça era sinônimo de churrascada com os amigos em frente a TV. Todo mundo de queixo caído vendo o cara dar show no Camp Nou.

Meia – Zidane
Simplesmente o melhor, o maior jogador que eu já vi em um campo de futebol. Nenhum adjetivo traduz o que esse cara fazia em campo. Allez, les Bleus!

Atacante – Romário
A dupla de ataque não poderia ser outra. Na fase em que os dois voavam em campo, não tinha ninguém nesse mundo que jogava mais bola que eles. Primeiro o Baixinho, que além de técnica tinha uma eficácia impressionante. Além de ser um “bom vivant”, claro. É o tipo do cara que tira onda e todo mundo aceita. Afinal, ele pode.

Atacante – Ronaldo
Por todas a sua história e principalmente pelo que ele jogou no Barcelona, o Ronaldo foi um dos jogadores mais impressionantes que eu vi em campo. “Hoje tem jogo com Ronaldo? Cancela o cinema!”. Era sempre assim. Se hoje, o ótimo Maldonado tem medo de dar o bote no cara, imagina quando ele estava no Barça?

É isso... e vocês, o que acham da lista? Acabou ficando meio brazuca né... De qualquer forma, o que vale é Zizu estar nela...

Comentem! Cheers!


Em: Futebol Arte, O cara!

14
set
2010

Afinal, o Neymar é cai-cai ou não?

4

A física, a psicologia e o Justin Bieber explicam.


por Lamartine du Derby



Tema encardido. Imagino que já estamos todos cansados de ver os comentaristas esportivos divididos entre a turma que acha que ele é cai-cai e a turma que acha que não. Mas vamos lá.

Na boa? Neymar é cai-cai sim. Ele chama faltas e se joga com frequência. Não tem como negar.

Entretanto, não acredito que ele seja dos piores. Ele é um cai-cai beginner, do tipo que tem outros motivos para utilizar esta artimanha. Exemplos de cai-cai advanced? Um que já citamos aqui é Kléber Gladiador. Outro, notável, é Rodrigo Tiuí “Henry”, lembram dele? Aquele dominava o futebol horizontal como ninguém.

Voltando ao Neymar e seus motivos para ser cai-cai. O primeiro, físico, é óbvio: olha o tamanho da criança, caros! O garoto é mais mais slim que o mapa do Chile. E por ter esta constituição e ser um atacante que vai para cima, não é difícil entender por que ele é derrubado tantas vezes por jogo.

A resultante é uma situação em que o próprio Neymar utiliza da psicologia (barata como amendoim de geral) para fazer tudo girar ao seu redor e ficar mais famoso. Ele dribla, a torcida grita, humilha o adversário, que fica puto, que dá porrada, que derruba Neymar, que faz cara de choro, que bota a mão no joelho pra fazer tipinho, que deixa os jornalistas desesperados (“ai meu deus, se for joelho ele vai ficar seis meses foraaa! ahhhhrgg”), que deixa o árbitro desnorteado, que dá dá cartão para o zagueiro, que fica ainda mais puto, que dá porrada, que derruba Neymar, que faz cara de choro...

Bah, no fim das contas, só se fala de Neymar, seja chamando ele de cai-cai ou de coitadinho. E quem ganha com isso? Neymar, claro. Holofote é tudo hoje em dia. Depois vai para a TV gravar comercial cantando All The Single Ladies. E aí, não pode? Claro que pode. A polêmica do cai-cai no fim das contas é ótima para ele.

E por falar nesses holofotes, Neymar está parecendo uma espécie de Justin Bieber do futebol: garoto revelação, com futuro promissor, rico, metido a bonito, mimado, dançarino, polêmico, sempre na TV, protegido por uns e perseguido por outros...

Geração esquisita essa, viu? Jogam bola, são craques...mas são meio estranhos.

Saudades do Dener, que nem cai-cai era!


Em: Baixa tua bola, Futebol Arte

23
ago
2010

A nobre arte de derrubar técnicos

0

Schalke 04 faz um motim descarado contra seu comandante.


por Lamartine du Derby



Quem assistiu o clássico do cinema O Encouraçado Potenkim sabe: subordinado ouve esporro, aceita ordem e baixa a cabeça, PORÉM tudo tem limite. Quando a carne está podre e o comandante se mostra um verdadeiro asshole, a moçadinha se junta, conspira e coloca o condecorado para andar na prancha.

No futebol é mais ou menos a mesma coisa. Sabemos que muitos técnicos caem por complô e corpo mole dos jogadores. Mas geralmente isso não fica muito às claras. Jogador de futebol é um bicho meio dissimulado, meio rato, mais liso que garrafa molhada. Quando perguntado sobre o complô, desconversa e engata um clichê do tipo “não tem nada de complô, o time tá unido e focado na vitória para tirar o clube dessa situação”. Tá, tá...

Temos alguns exemplos, claro. O irritadiço e ditatorial Emerson Leão vive tendo esse tipo de rusga com jogadores. Dizem que Celso Roth já enfrentou o mesmo problema. Muricy também teve alguma oposição de chuteiras quando de sua saída do São Paulo. E o que dizer de Cuca sendo praticamente escorraçado pelo elenco do Flamengo em 2009?

Mas sempre é aquela coisa de “não sei, não vi, não falo nada”. Parece transeunte de favela na hora do baculejo, brotha!

Com algumas exceções, claro. E tivemos um exemplo descarado neste sábado pelo Campeonato Alemão, como diz notícia publicada no GE hoje:

Jogadores do Schalke 04 aderem a protesto da torcida contra o treinador.

Nada como a sinceridade, não é mesmo? Os caras vestiram a camisa da organizada, ali, em campo, contra o técnico. Tipo “nós não queremos este treinador nos comandando, e aí?”

Já pensou se a moda pega por aqui? Acho que Leão e Luxemburgo ficariam desempregados de vez...


Em: Baixa tua bola, Futebol Arte, Nas Europa

20
ago
2010

Para comemorar o Dia de São Marcos

12

Nada melhor que um chocolate, com recheio de épico!


por Lamartine du Derby



Amigo procrastinador, nós do Canetada não gostamos muito de falar sobre a Copa Sul-Americana. Por motivos óbvios. É uma competição sem mojo.

Entretanto, quando milagres acontecem, é nosso dever comentar. E foi o que ocorreu na noite de ontem no Pacaembu, na partida entre Palmeiras x Vitória. O que era para ser apenas uma homenagem aos 500 jogos do eterno ídolo palestrino (teve até mosaico, olha só, mas nesse quesito os paulistas ainda têm muito o que aprender com os vizinhos do Rio) se tornou uma vitória épica e inesquecível para a torcida porquinha. Depois de perder o primeiro jogo, em Salvador, por 2x0, o Verdão foi lá e “tuk”, “tuk” e outro “tuk”: 3x0 e o time da Ivete Sangalo vazou do torneio com o rabo entre as pernas.

Mérito de quem? De São Marcos? Talvez, mas apenas na vibe, pois ontem o goleirão não teve que trabalhar tanto. De Felipão? Um pouco sim, pois o Gene Hackman dos pampas pediu para a torcida verde comparecer e vibrar mais com o time. Então a torcida também tem méritos? Claro que sim, compareceu em peso e fez sua parte como nunca. Dos outros jogadores? Também, pois tiveram vergonha na cara e foram para cima, como todo time que se considera grande deveria fazer SEMPRE.

O resultado foi mais um capítulo para o enorme registro de épicos da história palmeirense. Desde que me conheço por homo sapiens, o Palmeiras é o time que mais vi proporcionar épicos, tanto em vitórias como em derrotas. Exemplos? Final da Copa do Brasil de 1996, contra o Cruzeiro. Também a quase virada histórica contra o Grêmio na Libertadores de 1995 (5x1 no Palestra depois de perder de 5x0 no Olímpico). A derrota de virada para o Vasco na Mercosul, 3x4. As vitórias contra o Corinthians nas Libertadores. Os milagres de São Marcos. Enfim, são muitos épicos para um time só.

Sugiro uma emenda ao nome deste clube: Sociedade Esportiva Épica Palmeiras.


Em: Futebol Arte, Mojo

11
ago
2010

Mano e sua patota estreiam e lavam a alma dos brasileiros

0

Terminou o jogo e queríamos mais... Ô amigôoo, quando a seleça joga de novo?!


por Clint McGuinness



Fala aí, foi cool não foi?! Pode admitir, vai... Tudo que a gente queria era um jogo assim, piece of cake. Pra lavar nossa alma, exorcizar o cap... digo, Dunga de dentro de nós e da seleção brazuca.

Ontem Mano Menezes seguiu direitinho a cartilha e colocou seu time em campo com uma ordem muito clara: “Curte aê moçada! Divirtam-se como nunca!”. E lá se foi a seleção brasileira brincar em campo. Os americanos, coadjuvantes como sempre devem ser, corriam, corriam, mas caíam de boca aberta em frente ao talento brasileiro.

Admito que ainda vai levar um tempo pra me (re)acostumar com esse futebol vistoso descontraído que o Brazil mostrou ontem. Futebol tipo exportação mates! Fazia tempo que não víamos um jogo assim: dribles, jogadas de efeito, roda de bobinhos americanos, gols interessantes e, claro, muitos e muitos gols perdidos. Gols que só não saíram por excesso de malemolência, rebolado e atuações performáticas de nossos jogadores.

Vale mencionar também a estréia classuda de Ganso ali na meiuca. Cabeça em pé, futebol elegante, elástico, bola na trave... coisa linda de se ver. Sem falar em Neymar (o melhor em campo), André Santos, Robinho, Lucas, Thiago Silva e até o desconhecido David Luis, todos muito seguros e eficientes. Awesome!

Claro, claro... Uns dirão que foi um joguinho sob medida pra esse tipo de atuação, afinal de contas era os EUA do outro lado. Olha, os EUA tem um timinho bem armado e entrosado, mas nem isso importa. Que fosse o Azerbaijão em campo, for christ’s sake! O que vale é essa sensação de querer curtir um pouco mais a festa que foi o Brazil em campo ontem.

Essa peleja serviu pra resgatar nos brasileiros aquela coisa de reunir os amigos e tomar uma cerveja em dia de  jogo da seleção. Isso estava perdido em algum lugar entre a simpatia do Dunga e a evangelização de Jorginho.

Temos que lembrar que nem tudo foram flores também. Haja vista a desastrada estréia do “seja-lá-quem-for” Éderson. Ah! E tem o Daniel Alves também! Esse aí ainda guarda uma uruca braba da era Dunga na seleção. Nada que o tempo não resolva, claro O cara é bom. E se não resolver, sem problemas. Esse Brasil aí, esse que vimos ontem, tem gente pra jogar em qualquer posição.

Welcome back futebol arte. Sinta-se em casa.

Thanks Brotha
! (ou “Valeu Mano” no dialeto brasileirim)


Em: Futebol Arte, Seleção Brasileira


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