Canetada – A comédia do futebol em crônicas e críticas cretinas

Um tablóide digital que não volta pra marcar

Aperriando o juízo desde 2010

  • Baixa tua bola

18
dez
2011

O dia em que o Santos foi Real Madrid

1

E sofreu bullying igual ao time merengue.


por Lamartine du Derby



É, meus senhores. Desta vez a caixinha de surpresa ficou fechada. O imponderável não deu as caras. E a zebra ficou mesmo no zoológico.

Para enfrentar o Barcelona, o Santos entrou em campo de branco, como o Real Madrid. Foi a deixa para o time catalão ficar bem à vontade e jogar aquela pelada gostosa de churrasco, sem suar muito, só no futiba arte. Acostumado a massacrar o arquirrival espanhol, contra o Santos além da ajuda cromática, havia Durval para dar uma força e um Muricy querendo jogar como José Mourinho. Fechadinho lá atrás e querendo encaixar um contra-ataque. Erro juvenil, convenhamos.

Muricy estudou o time azulgrana e decidiu por uma marcação sem afobamento, apenas cercando o adversário para jogar no seu erro. Deu espaço. E esqueceu que o Barça erra pouco, ou quase nada.

Acredito eu que o melhor que o Santos poderia fazer era morder mais, fazer faltinhas, jogar contra o Barcelona como jogaria contra um Independiente em Avellaneda. Raça no meio de campo. O mínimo que se pode fazer é incomodar os caras, para aí, quem sabe, encaixar uma jogadinha, meter um gol e deixar o Puyol de cara feia (mais).

Claro, é muito fácil falar agora que o pudim desandou. Provavelmente em qualquer cenário o Santos perderia este jogo. Mas enfim, como somos metidos a técnicos, comentamos e cornetamos.

O fato é que o Barcelona é um timaço e somos muito felizes em podermos vê-lo jogando. Ainda há esperança no futebol, os grandes times ainda vêm a este planeta. Estamos testemunhando história.

E ainda há gente no Brasil que desmerece os caras, diz que "contra o Málaga é fácil", que o Messi "não é tudo isso" e que o Guardiola "no Brasil não seria um bom técnico". Nessas pessoas falta a simplicidade para admitir que nem sempre temos o melhor futebol do mundo. E é excelente que seja assim, queremos um esporte competitivo, não é mesmo? Nossos times são competitivos e o Santos venceria a maioria dos times europeus, mas contra ESTE, não dá. Mesmo!

Ao Santos, resta admitir o baile com dignidade e seguir em frente, pois é um clube em franca evolução e que dá muitas alegrias a quem gosta de futebol bem jogado. Apesar do Muricy...

Visca el Barça!


Em: Baixa tua bola, Futebol Arte
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13
dez
2011

Muricy e o complexo de vira-lata

1

Técnico do Santos chega no Japão falando das suas...


por Lamartine du Derby



Caríssimos, o Brasil vive dando provas de sua grandeza e força por aí. Somos o país do presente e do futuro, dizem. Até ganhamos lugar em um grupinho seleto de prováveis novas potências mundiais, o tal do BRICs. Holy crap!

Mesmo assim, nosso sentimento ainda é vira-lata. Ainda nos comportamos com a síndrome do latinoamericano oprimido. E somos mal-educados.

Muricy deu uma prova disso no Japão. Perguntado sobre Josep Guardiola, técnico do Barcelona e provável adversário na final do Mundial de Clubes, Muriçoca botou banca: "É um bom treinador, mas tem um trabalho tranquilo. Na Europa têm os melhores jogadores, tempo para planejar. Só ganha nota 10 se for campeão em um time no Brasil."

Confrontado com a afirmação, Guardiola foi de uma sutileza e elegância notáveis: "Não tenho propostas".

Punto e basta!

Você aí da poltrona, cheio de "orgulho brazuca", dirá: "o Muricy tem razão, é isso mesmo!". Pois te digo, ó soprador de paçoca, é claro que o argumento do Mura tem fundamento, afinal, em nenhum lugar do mundo os técnicos sofrem tanta pressão como no futebol brasileiro. Em matéria de futebol dentro de campo, estamos carecas de saber que somos os melhores.

Entretanto, eu te pergunto: pra que dizer isso?

O Guardiola fez alguma provocação?

Algum jogador do Barcelona fez alguma declaração esnobe?

Não. Nada. Tudo na normalidade. O que faz o comentário do Muricy soar como mimimi e complexo de vira-lata, puro e simples. E ele sempre foi o campeão dos mimimis. Quando ganha, ele é gênio. Se perde, é porque falta elenco, o campo é ruim, o calendário faz jogar demais, os jogadores estão estourados e o Brasil é uma merda. Aprendeu bem com o Luxa...

Agora chega no Japão e a primeira coisa que faz é dar uma menosprezada no técnico adversário. "Nota 10 só se for técnico no Brasil". Leia-se: "sou melhor que você, Guardi!"

Desnecessário. E sabe por que? Porque o Santos, se encaixar o jogo, pode dar um baile de bola no Barcelona. Basta o time Catalão entrar meio desligado em campo e o Ganso meter uma bola de açúcar mascavo para o Neymar marcar um gol de chantilly logo aos 2'' do primeiro tempo. Aí, meu amigo, o Guardiola vai sentir pressão naturalmente.

Na boa, cala a boca Muricy. Faz teu time jogar bola e pronto.


Em: Baixa tua bola
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05
dez
2011

Corinthians Campeão Brasileiro 2011!

2

Chupa, Canetada!


por Lamartine du Derby



Eu chupo, tu chupas, ele chupa. Nós chupamos, vós chupais, eles chupam.

Corinthians confirma o favoritismo, dá uma jato de mangueira (no bom sentido, é claro) nos secadores e é campeão!

Apesar dos esforços de toda a Equipe Canetada (Clint e eu) para secar, mandingar, azarar e urubuzar, não deu. O time do Tite realmente levou o Caneco. E se não mostrou um futebol bonito de se ver, com certeza é a equipe mais eficiente do campeonato e mereceu a vitória.

Vasco e Fluminense, que jogaram um futebol mais bonito e tinham nossa preferência, perderam pontos demais por bobagem, então merecem chupar também.

Sabe qual é a lição de tudo isso? Novamente, insisto, ninguém sabe nada de futebol. O Tite, mesmo alérgico a gols, é o campeão!

Brincadeiras à parte, parabéns à Fiel pelo título! Incontestável, quem disser que foi "roubado" tem mais é que chorar na cama, que é lugar quente. Ah, e tem que chupar também. Chupa!

Eu vou ali chupar o meu...

Picolé, gente.


Em: Baixa tua bola, Campeonatos Brazucas, Eu não sei nada de futebol
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31
out
2011

Grêmio e Ronaldinho Gaúcho, uma relação.

2

Ontem deu tudo certo.


por Lamartine du Derby



Como vocês todos viram, ontem rolou o reencontro entre Ronaldinho Gaúcho e a torcida do Grêmio, clube que o revelou na década de 1990 e que se sentiu traído com sua saída. E depois, traído outra vez com a sua volta ao Brasil, mas para o Flamengo.

Pois bem, no dia 30 de outubro de 2011, o cara foi vaiado e hostilizado como poucos jogadores foram na história do futebol. A mobilização da torcida do Grêmio para ofendê-lo foi tremenda. Acho que nunca vi algo igual.

O que concluir disso, moçada? O que ficou?

Bom, a torcida do tricolor gaúcho deu uma lavada na alma. O Grêmio venceu de virada, com direito a golaços, e Ronaldinho pouco fez em campo. Xingaram o dentuço à vontade, mostraram cartazes, jogaram moedas. Eu diria que a torcida se vingou.

Já Ronaldinho, por um lado deve se sentir aliviado, afinal, talvez tenha um pouco mais de paz em sua cidade natal, quiçá a torcida do Grêmio largue um pouco de seu pé.

Mas, é como disse o presidentão do Grêmio, Paulo Odone: "não deve ser bom ser tão rejeitado na cidade e no clube que o revelaram". E não deve mesmo. Deve ser bem desagradável.

Ronaldinho pelo menos foi homem e não fugiu do jogo. Poderia inventar uma lesão qualquer e não viajar para POA. Seria típico de um jogador de seu estereótipo. Mas não, ele foi lá como quem diz "bah, tchê, vamo resolver logo essa azucrinação. Deixa os caras me desancar de uma vez e voltamos pro futvôlei".

O grande problema do dentuço, ao meu ver, é sua personalidade. Durante toda a carreira, o cara nunca conseguiu ser muito carismático e ter moral com as torcidas. Sempre foi perseguido e não soube responder, com seu jeitinho "mininu". Algumas declarações fortes na imprensa, do tipo "eu queria jogar no Grêmio, mas a diretoria não fez a parte dela" talvez amenizassem o ódio tricolor.

Mas, se calou, é porque consentiu. Aí lasca, né?

E segue o jogo.


Em: Baixa tua bola, O cara!
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24
out
2011

Cruzeiro, a decepção de 2011.

1

De sensação à ameça de rebaixamento.


por Lamartine du Derby



Meus queridos, não sei se muitos de vocês perceberam, mas o Cruzeiro está ali na beira da zona de rebaixamento. Sim, o Cruzeiro, aquele Cruzeiro. A raposa, o time que veste azul, lá de Minas Gerais, e que quase todo ano monta times fortes e competitivos. Agora tá com o pé na lama.

E o pior, está brigando por posições com o arquirrival Galo!

Sejamos honestos: nos últimos anos nos acostumamos a ver o Cruzeiro brigando por títulos e o Atlético brigando para não cair, na maioria das vezes. Dessa vez, a raposa decidiu fazer companhia ao amigão.

O que acontece com o time celeste? Começou o ano como sensação, destruidor da fase de grupos na Libertadores. Todos temiam o time de Cuca.

Mas a derrota “ducha de água fria” para o Once Caldas foi o começo da sina azul. Eliminado da Libertadores, restou ao time o consolo de ser campeão mineiro mais uma vez. E o favoritismo no Campeonato Brasileiro. Todos os analistas que não sabem nada de futebol (como eu) apostavam no Cruzeiro.

Mas, as coisas ficaram meio azedas. Cuca caiu. Veio Joel Santana (esse não combina NADA com o Cruzeiro) e tudo foi piorando. Papai Joel também caiu.

Quem é o técnico do time agora? Ah, sim, Vágner Mancini. O cara até me parece um bom treinador, com futuro pela frente. Porém, a lama ali tá complicada de limpar.

E isso em um elenco calibrado, com grandes jogadores e o melhor meia do futebol brasileiro, em minha opinião, Montillo. Difícil de entender.

Ontem, venceu o Atlético-GO e ganhou gás para subir e fugir do rebaixamento. Mas quase perdeu. Se perdesse, a crise seria pesada por ali.

Já pensou se o Cruzeiro cai e o Atlético fica na primeira divisão?

1 ano de feriado em Beozonte!


Em: Baixa tua bola
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18
ago
2011

Ricardo Teixeira começa a levar de todo lado

0

Parece que tem batata assando, meus camaradas...


por Lamartine du Derby



Nobre leitor que tem preguiça de descascar o amendoim torrado e come ele cancerígeno mesmo (macho!), analisemos os fatos: Ricardo Teixeira, uma espécie de resquício do que outrora chamávamos de monarquia (o cara tem cargo de rei, com rei na barriga), parece que está com os dias contados no poder. Só parece, mas já é divertido.

Durante toda sua “nobre” gestão na CBF, o cacique R171 (ouvi este apelido de um popular na quitanda da esquina, um flamenguista de arcada incompleta e sagacidade 100%) sempre foi alvo de escândalos, denúncias, intrigas e nheco-nheco e vuco-vuco. E nenhuma dessas acusações conseguiu tirá-lo do poder. Pelo contrário, quanto mais apanhava, mais forte o gordinho branquinho (ele é até fofo) ficava.

Durante o governo Lula, então, o cara virou um semideus. Algo me diz, um sonho talvez, que alguns churrascos muito interessantes foram feitos na Granja do Torto, com Luis Inácio e Ricardinho de bermudão florido, chinelão e óculos escuros. Samba e funk na caixa e pelada dos ébrios. Mas só Lula jogou. Ricardo teria dito “não gosto de futebol”.

Porém, vem o governo Dilmão do Porrete, a proximidade da Copa, e os holofotes começam a tostar a brancura de neve de nosso Rei da Cocada Preta. Já não tem churrasco na Granja nem sossego no escritório do Rio. Jornalistas de partes ditas “mais civilizadas” do mundo começam a malhar o Judas.

E eis que o camarada também me resolve colocar o próprio poder à prova, concedendo aquela entrevista malemolente à Revista Piauí, onde “caga muitão” para a imprensa em geral. E diz que só o Jornal Nacional lhe causaria preocupação. Tirou uma onda responsa. Botou na mesa.

Porém alguns membros dessa mesa possuem facões de cortar membros. E o facão desceu, ou começa a descer, como você pode ver neste link: Polícia do DF investiga fraude na contratação de amistoso da seleção em 2008

A impressão que dá é que, na cúpula dos p...grossas, as declarações e desmandos do floquinho de neve andam incomodando, passando do limite. E a lógica é simples: o cara sempre teve o filme queimado, mas sem muito estardalhaço. Agora, a coisa fede internacionalmente, e ainda mais intensamente em outros veículos da imprensa nacional. Ou seja, a coisa vai feder pra Globo também, vai começar a respingar. E talvez seja hora de fazer como fizeram com o “fenômeno” Fernando Collor. “Não me deixem só!” Deixaram...

Resta saber se esta repercussão é apenas um “baixa tua bola” para o rapaz calar a boca e voar abaixo do radar por um tempo, ou se estamos vendo o fim da monarquia na pátria de chuteiras.

Saravá!


Em: Baixa tua bola, Bastidores, Crônicas de uma copa anunciada
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29
jul
2011

Elano, um dos melhores em fazer o simples.

3

Em má fase, o meia anda tentando fazer o que não sabe: ser craque.


por Clint McGuinness



Tenho uma opinião muito clara sobre o Elano: para fazer o que ele faz, existem pouquíssimos jogadores melhores que ele no mundo. E sabe do que eu estou falando? Jogar fácil. Roubar, receber e tocar. Nada além disso.

Se você quer um cara para fazer o “be-a-bá” em seu time, o nome dele é Elano. Não espere desse cara, jogadas brilhantes, dribles geniais ou enfiadas de bola consagradoras. Pode até acontecer, mas não será rotina. O cara é expert em jogar o feijão com arroz, em pegar a pequena e tocar para quem sabe dar o trato que ela merece.

E foi nessa pegada que ele fez sua história no futebol. Depois de uma passagem brilhante naquele Santos de 2002 - 2004, o cara já foi para o leste europeu onde se destacou no Shaktar Donetsk e chamou a atenção da inglesada do Manchester City. Foi pra lá e virou ídolo. No time, Elano era figura de responsa, exemplo para o time, referência para a torcida. Dali ainda deu uma passada pela Turquia até retornar ao Santos agora em 2011.

Já pela Vila ganhou o Paulista desse ano (onde foi artilheiro, pasmem) e se tornou figurinha obrigatória na histórica campanha santista na conquista da Libertadores. No meio disso tudo, entre idas e vindas de técnicos na seleção, nunca deixou de ser convocado para o timeco marajoara.

Homem de confiança de todos os seus técnicos, principalmente com Muriçoca, Elano deixou de ser coadjuvante para ser um dos grandes nomes do Santos. Será que é isso que mudou então?

Não adianta moçada. É do perfil do ser humano. Uns nascem para mandar, outros para obedecer. Enquanto o Elano era um operário, a serviço do time, o cara brilhou. Quando começou essa transição para se tornar um dos “craques” em campo, a coisa mudou um pouco. Até mesmo no discurso, ele anda irreconhecível.

“Se continuarem a me vaiar, vou embora daqui”, disse ele depois do papelão contra o Flamengo.

Ah, meu caro, baixa a bolinha vai. Hora de ter personalidade para ficar quieto, jovem. Faça isso, assuma a responsabilidade e enfrente as críticas. Torcedor é apaixonado, irracional. Uma hora te ama, na outra te odeia.

Saiba lidar com a pressão que o tempo e carreira lhe atribuíram. Faça isso e assuma de vez o que sabe fazer de melhor: ser medíocre. No bom sentido é claro.


Em: Baixa tua bola
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30
jun
2011

Cansou, Rogério Ceni?

1

Frangos normais ou o goleirão são-paulino está passando da validade?


por Lamartine du Derby



Bem amigos da rede mundial de computadores, ontem assistimos a mais um momento melancólico de um dos grandes ídolos do football nacional: Rogério “Cocoricó” Ceni.

Depois do frango (ou pinto grande, como ilustrou de forma perversa o jornalista Chico Pinheiro) no domingo contra o Corinthians, eis que o ídolo tricolor novamente engole um peru, sem ao menos dar tempo para as zoações do clássico terminarem. Claramente, Ceni não aprendeu uma das regras básicas da comédia: é necessário esperar o público terminar a risada antes de mandar outra piada.

A situação ficou tão deprimente em apenas 4 dias que temos duas impressões:
1) Rogério tomou o frango contra o Corinthians pra evitar a “goleada de 4” em pleno dia da Parada Gay;
2) Rogério tomou o frango contra o Botafogo para diminuir a importância do frango contra o Corinthians (“foi só mais um”).

Além destas possibilidades lunáticas (porém divertidas bagarai), temos a constante teoria de que o grupo do São Paulo está doido pra derrubar o técnico Capergiani. O que acho que está acontecendo. Mas daí ao Rogério engolir penosas por causa disso, já acho conspiração demais.

Por outro lado, existe a possibilidade de que o goleiro já não esteja em sua melhor forma física e técnica, afinal já é quase quarentão. Pode ser, mas não justifica, pois outros goleiros na história do futebol chegaram aos 40 “catando muito”, como Manga, Dino Zoff, Clemer (ok, Clemer é meio sacanagem).

Por último, existe a possibilidade de que Rogério esteja meio de saco cheio. O cara já ganhou tudo e quebrou todos os recordes pelo São Paulo. Obviamente ele ainda quer contribuir com vitórias e títulos para o clube, mas talvez não com o ânimo de outrora. E quando o time flerta com a crise, como agora, imagino que a seguinte reflexão passa pela cabeça do sujeito: “Será que deu pra mim? Chega?”.

O fato é que esta semana Rogério virou piada. Ninguém discute a qualidade dele, um dos maiores que já jogaram embaixo das traves (e ousaram sair debaixo delas para fazer gols).

Mas que ele fez a alegria de muita gente que não o suporta, ah isso fez.

E segue o jogo. E a granja.


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20
jun
2011

Ronaldinho Gaúcho, a vaia é justa

1

Com atuações constrangedoras o craque é uma sombra do que já foi um dia.


por Clint McGuinness



Ontem assisti Flamengo x Botafogo. Joguinho ruim, preguiçoso, mal educado, canalha, irresponsável e, por muitas vezes, prejudicial a saúde. Admito que o começo parecia até promissor, mas a expulsão merecida e imbecil do porteño Botinelli jogou a pelada no lixo.

A partir dali (20 e poucos do primeiro tempo, meu povo), o Flamengo recuou e jogou a partida inteira se defendendo. Já o Botafogo, incompetente e sem graça alguma sem o bon-vivant Loco Abreu, não sabia nem por onde começar a furar esse ferrolho rubro-negro.

Bom, nessas horas, sentados no sofá, cerveja esquentando na mão, amendoim acabando no pote, bunda coçando, joguinho se arrastando, o que a gente espera? Que o craque brilhe, que algo mirabolante aconteça, etc, etc, etc.

E não foi diferente. Toda hora eu buscava o Ronaldinho em campo:
“Vai lá R10, mata com as costas, dá uma chaleira, olha prum lado e toca no outro!”

É, mates, procurava mas estava longe de encontrar. Sejamos justos aqui. O cara tá correndo muito, jogando com uma raça impressionante, e se dedicando com um vigor que poucos tem em campo. O problema é que é EXATAMENTE isso que preocupa. O problema, caríssimos amantes de cevada, é técnico, e não físico. E ver essa deficiência em um cara como o Ronaldinho dói, fere, machuca.

Pensemos no Ronaldo, por exemplo. Agora estou falando do “Gordo”, beleza? Então, o Ronaldo estava obeso, não conseguia dar mais de três arrancadas em campo, mas quando a bola caia no pé dele era um Deus nos acuda. O zagueiro não sabia pra que lado ele iria, com que perna chutaria... Desespero total. O cara estava gordo? Sim, obeso. Mas nem por isso deixou de fazer um gol de placa, por cobertura, em plena Vila Belmiro na final do Paulistão de 2009.

E isso, mates, é só um exemplo. Ele cansou de ser decisivo pro Corinthians naquele ano. É por isso que bate uma “deprê” quando vejo o Ronaldinho em campo. Se não é uma questão física, o que diabos houve com ele? Cade aquele showman de alguns anos atrás?

Admito que, pelo menos pra mim, o Ronaldinho sempre foi muito mais performático do que decisivo. Ele era um gênio das firulas, um Denílson que deu certo. Chamava a atenção pelos “trocadilhos” em campo, mas nunca brilhou demais quando era reconhecidamente exigido. Para ser sincero, lembro dele jogando fino apenas um jogão decisivo: Brasil x Inglaterra, nas quartas de final de 2002. Deu passe pro Rivaldo, fez gol espírita de falta.... maaaas, foi expulso também. O que não tirou o brilho do jogo, claro. Apenas arranhou.

Ontem ele saiu vaiado de campo. Vaiado e constrangido, porque sabe que a torcida está certa. E pior será, se ele se indispuser com a Nação. Esse não é o caminho. Ronaldinho tem que se reerguer em campo. Assim como o fez Adriano. E o Flamengo é o lugar ideal pra isso.

Que ele saiba virar o jogo. O futebol agradece.


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10
mai
2011

Renan e a Maldição dos Braços Curtos

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(Ou então: Renan, mais um case de empresário de sucesso)


por Clint McGuinness



A atuação do Renan, goleirão do Inter de Porto Alegre, no último domingo praticamente definiu o título gaúcho. Obviamente, depois de toda derrota, a torcida precisa crucificar alguém e, merecidamente, a bola da vez é o guarda metas colorado.

O jaqueta nº 1 da “equipo” de Falcão falhou nos dois gols de cabeça do Grêmio. No primeiro saiu mal e no segundo hesitou, hesitou e quando tentou já não dava mais para evitar uma cabeçada marota, acredite, de fora da grande área.

Além da falha técnica (que ficou muito evidente), a única explicação que encontro para justificar as duas falhas seguidas é o famoso “Mal dos Braços Curtos” (MBC) que acomete muitos goleiros nesse mundão afora. Essa moléstia, também conhecida como “mão de pau”, “braço de t-rex” , “Horácio” e outras atribuições depreciativas, nada mais é do que o reflexo de um encurtamento de bíceps que impede a amplitude total dos membros superiores.

O sintoma é claro: sempre que você tiver aquela sensação de “porra, mas dava pra agarrar essa bola meu deus”, provavelmente, estarás de frente com um caso de MBC. O Renan, pobre diabo, tem sido a vítima mais ilustre dessa limitação. E nem me refiro exclusivamente a pelada de domingo não. Basta olhar um pouquinho pra trás e lembrar (sim, colorados, teremos que lembrar) da derrota para o saudoso Mazembe. Ele falhou ali. Ali e em alguns jogos chaves da temporada passada.

A torcida do Beira Rio já começa a mostrar sinais claros de impaciência e começou a pedir a cabeça do cara. O saldo começou a ficar negativo, moçada. Negativo pro Inter, porque pro Renan tudo deve continuar numa boa. Pensa comigo: ele está jogando no Inter, mas na primeira zica, volta pro Valência, timinho honesto do futebol espanhol. O nome disso: empresário.

É o mesmo nome que justifica o sucesso na carreira de outro goleirão vitima do MBC: Doni. O cara nunca foi mais do que mediano e nem por isso deixou de ser convocado inúmeras vezes pra seleção e, por mais incrível que isso pareça, é titular há anos do Roma. E antes passou por Cruzeiro, Santos, Corinthians. Na boa? Não tem como entender...

Em uma escala (bem) menor temos o folclórico Castillo, ex-goleiro do sofrido Botafogo. De vez em quando, ia um balaço pro gol e quando a gente via lá estava ele dando uma belíssima ponte... só que com os bracinhos encolhidinhos, com um medo danado de tocar na bola. O nome disso: MBC. E, mais uma vez, estamos falando de um goleiro prá lá de medíocre, mas que sempre é convocado para a selação uruguaia e, hoje, tá lá, fazendo das suas no tradicional Colo-Colo.

Pobres goleiros, eles passam a maior parte do ano sendo provocados pelos atacantes, xingados pelos torcedores, fazendo milagre atrás de milagre para, em uma única falha, perder um campeonato inteiro. Idolatrados e execrados, os caras vão do céu ao inferno em uma questão de segundos.

Bom, nem todos. Que o diga o Doni. E o Fernando Henrique, o Felipe...


Em: Baixa tua bola
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